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Primeira infância: por que essa fase pode ser tão desafiadora?


A primeira infância é uma etapa de intensas descobertas e transformações. Nesse período, a criança começa a desenvolver a linguagem, a autonomia, a capacidade de brincar, as habilidades sociais e formas cada vez mais complexas de expressar o que sente.
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Ao mesmo tempo, ela ainda depende dos adultos para muitas tarefas e não possui maturidade emocional para compreender, organizar e comunicar tudo o que acontece dentro dela.


Por isso, comportamentos como birras, choros, resistência, agressividade, dificuldade para dormir ou necessidade intensa de atenção podem aparecer com frequência.


Isso não significa que a criança esteja ?fazendo tudo de propósito? ou que os responsáveis estejam educando de maneira inadequada. Muitas vezes, o comportamento é uma forma de comunicar uma necessidade que a criança ainda não consegue expressar em palavras.


Neste artigo, quero conversar sobre alguns desafios comuns da primeira infância e apresentar estratégias que podem ajudar a tornar a rotina mais previsível, acolhedora e possível.



O que é a primeira infância?


No Brasil, a primeira infância corresponde, de modo geral, ao período que vai do nascimento até os seis anos de idade.

É uma fase fundamental para o desenvolvimento:


Isso não significa que tudo precisa acontecer exatamente da mesma maneira ou no mesmo momento para todas as crianças. O desenvolvimento apresenta variações individuais.

Cada criança tem seu ritmo, sua personalidade, sua história familiar e suas próprias necessidades. Por isso, comparações entre irmãos, colegas ou crianças da mesma idade nem sempre ajudam a compreender o que está acontecendo.


Por que a criança pequena tem tantas birras?


A birra costuma ser interpretada como desobediência, manipulação ou tentativa de chamar atenção. Porém, na primeira infância, ela frequentemente está relacionada à dificuldade da criança de lidar com frustração, espera, cansaço, mudanças e limites.

Uma criança pequena ainda está desenvolvendo habilidades como:


Quando essas capacidades ainda estão em desenvolvimento, o choro, o grito, a oposição e até algumas atitudes agressivas podem aparecer como formas de expressão.

Isso não significa que todo comportamento deva ser permitido. A criança precisa de limites, mas também precisa de um adulto capaz de ajudá-la a atravessar a emoção.



Como agir durante uma birra?


Durante uma crise, a criança geralmente não está em boas condições para receber longas explicações. Quanto mais ativada emocionalmente ela estiver, mais difícil será escutar, refletir e cooperar.
Nesses momentos, pode ajudar:


1. Mantenha a segurança


Afaste objetos perigosos e impeça agressões contra a própria criança, outras pessoas ou o ambiente.
Você pode dizer:


?Eu não vou deixar você bater. Vou ajudar a manter todo mundo seguro.?


O limite deve ser firme, mas não precisa ser acompanhado de gritos ou humilhação.


2. Use poucas palavras


Frases curtas e objetivas costumam funcionar melhor:


?Você queria continuar brincando. É difícil parar, eu sei. Agora é hora de ir.?


3. Nomeie o que parece estar acontecendo


A nomeação não faz a birra desaparecer imediatamente, mas ajuda a criança a começar a compreender suas experiências:


?Você ficou muito bravo porque eu disse que não poderia pegar esse brinquedo.?


4. Não tente negociar tudo no auge da crise


Quando a criança estiver muito desorganizada, talvez não seja o melhor momento para explicar regras, fazer perguntas ou exigir que ela peça desculpas.


Primeiro, ajude-a a recuperar a calma. A conversa pode acontecer depois.


5. Retome o limite quando necessário


Acolher o sentimento não significa mudar todos os limites.
É possível dizer:


?Eu entendo que você está chateado. Mesmo assim, não vamos comprar esse brinquedo hoje.?


Acolher a emoção significa deixar a criança fazer tudo?


Não.
Acolher significa reconhecer que a emoção existe e ajudar a criança a atravessá-la. Permitir que ela bata, morda, destrua objetos ou machuque alguém não é o mesmo que validar seus sentimentos.
Podemos acolher a emoção e limitar o comportamento ao mesmo tempo:


?Você está muito bravo. Pode ficar bravo. Não pode bater na sua irmã.?


Essa distinção é importante porque a criança precisa aprender que todas as emoções podem ser sentidas, mas nem todos os comportamentos são aceitáveis.



Como estabelecer limites na primeira infância?


Os limites ajudam a criança a compreender o que é esperado e a se sentir mais segura. Eles não precisam ser baseados em medo, ameaça ou punição física.


Em vez de ameaças, use orientações objetivas
Em vez de:

?Se você não guardar os brinquedos, nunca mais vai brincar.?


Você pode dizer:
?Agora vamos guardar os brinquedos. Depois disso, podemos escolher uma história para ler.?


Em vez de:

?Quantas vezes eu vou ter que falar??

Você pode dizer:

?É hora de desligar a televisão. Vou ajudar você a encerrar.?

A criança pequena ainda precisa de ajuda prática para cumprir muitas orientações. Repetir a regra sem oferecer suporte nem sempre é suficiente.


A rotina influencia o comportamento da criança?


Sim. Fome, sono, excesso de estímulos e mudanças inesperadas podem aumentar a irritabilidade e dificultar a cooperação.
Uma rotina não precisa ser rígida, mas alguns elementos previsíveis podem ajudar:


Antes de uma transição, avise a criança:

?Daqui a cinco minutos, vamos guardar os brinquedos e tomar banho.?

Depois, faça outro aviso:

?Agora é hora de guardar. Você quer começar pelos blocos ou pelos carrinhos??

Oferecer escolhas limitadas pode aumentar a participação sem transferir para a criança uma responsabilidade que ainda não é compatível com sua idade.


O que fazer quando a criança não quer obedecer?

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Primeiro, é importante observar se a criança entendeu o que foi pedido. Dizer ?se comporte? ou ?pare com isso? pode ser pouco específico.

Em vez disso, tente formular uma orientação concreta:
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Também vale observar se a solicitação é adequada ao desenvolvimento e ao momento da criança.

Uma criança cansada, com fome ou muito estimulada pode ter mais dificuldade para cooperar. Isso não significa que os limites devam desaparecer, mas talvez seja necessário oferecer mais apoio e reduzir a quantidade de exigências naquele momento.


Como ensinar a criança a lidar com as emoções?


A educação emocional começa no cotidiano. Não é necessário esperar uma grande crise para conversar sobre sentimentos.
Algumas atitudes podem ajudar:

Nomeie as próprias emoções

?Eu fiquei preocupada porque não encontrei minha chave, mas vou respirar e procurar com calma.?


Fale sobre emoções em histórias e brincadeiras

Pergunte:

?Como você acha que esse personagem está se sentindo??

Evite transformar a conversa em um teste. O objetivo é estimular a reflexão, não exigir respostas corretas.

Diferencie sentimento e comportamento

?Você pode sentir raiva. Não pode machucar as pessoas.?

Ajude a criança a reparar depois
Quando a criança se acalmar, pode ser possível pensar em uma reparação:


A reparação deve ser ensinada, e não usada como humilhação.



Como lidar com agressividade, mordidas e tapas?


Morder, bater, empurrar ou jogar objetos são comportamentos que precisam ser interrompidos com segurança. Ao mesmo tempo, é importante tentar compreender em que situações aparecem.

Observe:


Durante o episódio, priorize a segurança:

?Eu não vou deixar você bater.?

Depois que a criança se acalmar, ajude-a a encontrar outras formas de expressar o que precisava:

?Você queria o brinquedo. Da próxima vez, pode dizer: ?É a minha vez???

Se a agressividade for frequente, intensa, causar machucados ou estiver comprometendo a convivência, pode ser importante buscar orientação

profissional.


O comportamento piora quando a criança chega a um novo ambiente?


Mudanças podem ser especialmente desafiadoras na primeira infância. A criança pode reagir a:


Nem sempre a criança consegue dizer: ?Essa mudança me deixou insegura?. Em vez disso, pode apresentar mais choro, irritação, regressões, dificuldade para dormir ou necessidade de atenção.

Nessas situações, pode ajudar explicar o que está acontecendo de forma simples e adequada à idade, preservar alguns elementos conhecidos da rotina e oferecer oportunidades para a criança fazer perguntas e expressar sentimentos.


A criança precisa de atenção o tempo todo?


A necessidade de atenção faz parte do desenvolvimento, mas isso não significa que os responsáveis precisem estar disponíveis o tempo inteiro ou abandonar todas as próprias necessidades.

Uma estratégia útil é oferecer momentos de atenção possível e previsível:
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?Agora vou terminar esta tarefa. Depois, teremos dez minutos para brincar juntos.?

Quando possível, o tempo de presença deve ser realmente compartilhado, com menos distrações. Não precisa ser longo para ser significativo.

Também é importante que os responsáveis possam estabelecer limites para proteger seu descanso e sua saúde mental. Cuidar da criança não deve significar ignorar completamente as próprias necessidades.



Como a culpa afeta a parentalidade?


Muitos pais e mães vivem a sensação de que estão sempre fazendo algo errado. A comparação com outras famílias, as redes sociais e as expectativas idealizadas podem aumentar esse sentimento.

A culpa pode aparecer quando:


Nenhuma família consegue responder de maneira perfeita em todos os momentos. A parentalidade é construída em relações reais, com cansaço, reparações, dúvidas e tentativas.

Mais importante do que nunca errar é reconhecer o que aconteceu, reparar quando necessário e buscar novas formas de agir.
Você pode dizer:

?Eu gritei e isso assustou você. Sinto muito. Eu estava muito cansada, mas vou tentar falar de outra forma.?

Pedir desculpas não retira a autoridade do adulto. Pode ensinar responsabilidade e reparação.

Quando procurar orientação parental?


A orientação parental pode ser útil quando os responsáveis:


Buscar orientação não significa que os responsáveis sejam incapazes. Muitas vezes, significa que desejam compreender melhor a situação e
construir respostas mais conscientes.


Quando a criança pode precisar de uma avaliação psicológica?


Alguns comportamentos podem ser esperados em determinados momentos do desenvolvimento. Porém, é importante conversar com um profissional quando houver:



Esses sinais não significam automaticamente que exista um transtorno. Eles indicam que a situação merece ser compreendida com cuidado, sem conclusões precipitadas.


A avaliação deve considerar a idade da criança, sua história, o contexto familiar, o ambiente escolar e os diferentes aspectos do desenvolvimento.



Como posso ajudar sua família?


Meu trabalho é acolher mães, pais e responsáveis que desejam compreender melhor os desafios emocionais e comportamentais da primeira infância.

Na orientação parental, podemos conversar sobre situações concretas da rotina, como:


A proposta não é oferecer respostas prontas ou procurar culpados. Meu objetivo é ajudar você a compreender o que pode estar por trás de determinados comportamentos e pensar em estratégias possíveis para a realidade da sua família.


Cada criança e cada família têm uma história. Por isso, o acompanhamento precisa ser individualizado, respeitoso e construído a partir das necessidades de vocês.



Vamos conversar?


Se você está enfrentando dificuldades com o comportamento do seu filho ou se sente insegura sobre como agir em determinadas situações, entre em contato comigo.

Podemos realizar uma conversa introdutória para que você me conte um pouco sobre o momento da sua família, esclareça suas dúvidas e conheça melhor minha forma de trabalho.

Buscar orientação não significa que você falhou. Pode ser uma maneira cuidadosa de fortalecer a relação com seu filho e encontrar caminhos mais possíveis para o dia a dia.

Entre em contato pelo WhatsApp clique aqui!
(41) 99911-2488
Sou Gabriela Sorgenfrei, psicóloga, CRP 08/24236.

Se houver uma situação de risco imediato, procure um serviço de emergência. A conversa introdutória não substitui uma avaliação psicológica ou um atendimento de urgência.



Perguntas frequentes


Toda birra é normal na primeira infância?

Birras podem fazer parte do desenvolvimento, especialmente quando a criança ainda está aprendendo a lidar com frustrações e emoções. Entretanto, é importante observar a frequência, a intensidade, a duração e o impacto desses episódios na vida da criança e da família.


Devo ignorar a birra?

Nem sempre. Ignorar completamente pode deixar a criança sem apoio em um momento de grande desorganização. O mais importante é manter a segurança, reduzir os estímulos, falar de forma objetiva e sustentar o limite necessário.


Colocar limites pode prejudicar a criança?

Limites claros e coerentes fazem parte do desenvolvimento saudável. O que tende a ser prejudicial são práticas baseadas em violência, humilhação, medo ou ameaças constantes.


A orientação parental é apenas para casos graves?

Não. Ela também pode ajudar em dúvidas do cotidiano, na prevenção de conflitos e na construção de estratégias mais adequadas antes que a situação se intensifique.


A terapia dos responsáveis pode ajudar a criança?

Pode. Quando os responsáveis compreendem melhor suas próprias emoções, reações e dificuldades, podem encontrar novas formas de responder às necessidades da criança. A modalidade mais adequada depende da situação avaliada.


Aviso profissional

Este artigo tem finalidade informativa e não substitui avaliação psicológica, pediátrica ou de outros profissionais da saúde. O desenvolvimento infantil apresenta variações, e qualquer preocupação persistente deve ser discutida com um profissional habilitado.